A Editora PPGFIL-UFMG publica exclusivamente obras relacionadas à área de Filosofia, quer originais, quer traduções. Os originais ou traduções recebidos são encaminhados ao Conselho Editorial para avaliação e são publicados somente após aprovação. Podem submeter propostas de livros autorais e coletâneas apenas docentes ou discentes vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Filosofia e/ou ao Departamento de Filosofia da UFMG. Podem submeter propostas de tradução, com ênfase em fontes primárias, docentes e discentes vinculados a outros programas de pós-graduação.
O tempo de edição dos livros é variado, sendo definido diretamente entre a Editora e os autores/tradutores após o processo de aprovação.
Uma vez aprovados, caberá ao autor/tradutor adequar o texto às normas da Editora, sendo ele responsável pela entrega do livro revisado e diagramado segundo os padrões descritos no Manual de diagramação da Ed. PPGFIL.
“Para além da questão sobre se há um significado geral comum para “normatividade”, parecemos também enfrentar dificuldades mesmo circunscrevendo a questão ao domínio da moralidade, que é o tema central deste livro. Em geral, partimos do pressuposto [como um dado] de que a moralidade é normativa. […] A despeito disso, possuímos pouca clareza (e parecemos divergir de modo significativo) sobre o que se pode substancialmente extrair daquele “dado”. Atenção a essa dificuldade sobre o que derivar do pressuposto de que o domínio da moralidade é normativo é algo raramente explicitado na literatura contemporânea sobre ética e metaética. Decerto há disponível nessa literatura um extenso leque de propostas sobre a natureza e o conteúdo da normatividade moral. Mas o grande desafio é saber se aquele “dado” do qual partimos é suficiente para justificar expectativas de que seja possível unificar o fenômeno em torno de um conceito unívoco.”
Leonardo de M. Ribeiro; Rogério A. Picoli e Vitor Sommavilla
Saiba mais
“O que pretendi, nesses escritos, foi defender a ideia de que a dança é uma atividade que não apenas coreografa gestos, mas que, em profundidade, cartografa, com eles, os trajetos das sensações, as coreografias sensíveis que desenham o espaço, distribuindo a diferença no tempo. Além de muitas outras coisas, dançar é também – e fundamentalmente – experimentar e expressar a dimensão coreográfica do sensível, seus potenciais relacionais, seus processos de emergência, duração e devir. Dançar é se colocar no meio de cinéticas, dinâmicas e rítmicas que ultrapassam o corpo que dança, é se deixar mutar, mesmo que momentaneamente, por essa participação. Porque transforma os estados dos corpos nas quais se passa, fazendo deles campos mocionais-relacionais por onde as sensações circulam, dançar põe em marcha um certo tipo de pensamento que acompanha esses processos, um pensamento que emerge lá onde emerge e dura a sensação, que se movimenta e devém com ela. Um pensamento, portanto, que não representa, mas que testemunha e expressa diretamente as cinéticas do sensível e suas respectivas cinestesias; que é, afinal, uma forma qualificada de sentir.”
Ana Rita Nicoliello
Saiba mais
Prefácio de Patrícia Kauark Leite
“Como regras normativas, o espaço e o tempo são formas de ordenação das sensações na medida em que percebemos as coisas como fora de nós e como distintas umas das outras no espaço e na medida em que percebemos as coisas como simultâneas ou sucessivas. Uma objeção possível a essa ideia é a de que o espaço e o tempo não poderiam ser normas uma vez que, como intuições, são representações invioláveis. Não poderíamos perceber as coisas sem ser no espaço e no tempo. Contudo, uma regra normativa da percepção é aquela que instaura o modo pelo qual os objetos devem ser percebidos e possamos ter um padrão segundo o qual seja possível garantir que o que percebemos condiz com a disposição das coisas no mundo, tendo em vista que é possível que os sentidos “nos enganem” de alguma forma. O engano dos sentidos ocorre por uma desconformidade entre o conteúdo apresentado pelas sensações e a forma das intuições.”
Maria Carolina Mendonça de Resende
Saiba mais
Prefácio de Gabriel Pancera
“No contexto das disputas militares, os fundamentos dos estados são relevados, descobrimos a sua capacidade de responder às demandas da ocasião: na guerra as repúblicas e os príncipes são testados conforme respondem às contingências e adversidades. O ordenamento conservador de Esparta e Veneza fracassa porque a indeterminação, enquanto fato estruturante da vida política, lhe escapa: nem todas as conquistas e expansões militares podem ser fruto de uma decisão racional dos dirigentes políticos do estado; por vezes, é a única alternativa a ser conquistada por seus vizinhos. Todos os esforços político-institucionais isolacionistas que podem ser tomados de antemão serão sempre vãos contra a contingência. A segurança nunca pode ser suficiente ao estado […]. Ao tomar o conflito como ponto de partida de uma teoria da potência e da liberdade do estado, Maquiavel avança uma inovadora concepção da república. A unidade do corpo social não deriva de mecanismos externos de produção de consenso, tampouco recorre à referência abstrata a algum elemento comum que lhe pudesse ordenar. Ao contrário, a continuidade espaço-temporal de um regime depende da diferença, da energia que se extrapola quando o corpo social se revela como atravessado pela divisão entre os desejos do povo e dos grandes. O sentido de Roma é assim reescrito, posto que iluminado à luz do conhecimento da relação entre o acidental e o necessário. Em seus conflitos, Roma é constantemente confrontada com a possibilidade de sua dissolução, quer na exasperação de sua divisão que conduzisse à ruína da cidade, quer na possibilidade que um homem ou grupo de homens possa pretender tiranizar a república ao explorar suas divisões. Apesar e em virtude disso, seu modelo é intrinsecamente superior, porque compreende a contingência e dela se apropria.”
Yago Lima Pessoa
Saiba mais
“Na referência constante ao pensamento de Foucault no interior da tradição, me parece que se expressa um problema e uma questão que é incessantemente recolocada: afinal, a genealogia pode ou não ser compreendida como um modelo de teoria crítica coerente em si mesmo? Ela precisa ou não de uma complementação ou de uma fundamentação? Qual seria o papel desempenhado pela genealogia na elaboração de um discurso crítico? Em que medida ela seria de fato candidata a funcionar como um modelo para a crítica social? Aqui, procurei abordar o que está em jogo nessas questões a partir das três noções em torno das quais elas se organizam, quais sejam: as noções de crítica, poder e racionalidade. Partindo dessas três noções, procurei entender a maneira como a questão sobre a possibilidade ou não de se compreender a genealogia como um modelo de teoria crítica aparece no interior da tradição. O ponto de partida, como não poderia deixar de ser, é o chamado debate Foucault-Habermas.” (p. 10)
Rodolpho Venturini
Saiba mais
“Para Fārābī, o verdadeiro problema é que, quando as esperanças das pessoas de que os argumentos do kalām produzirão conhecimento são abaladas pela experiência dos argumentos contrários, elas podem perder a fé no poder da razão para resolver as disputas: elas podem concluir que qualquer argumento tem um contra-argumento igualmente bom ou, de qualquer modo, um contra-argumento suficientemente bom para que não possamos julgar racionalmente entre eles. É supostamente desta situação que a filosofia grega e, em particular Platão e Aristóteles, nos salvaria. A salvação falhará se se verificar que Platão e Aristóteles se contradizem, por exemplo, na questão da eternidade do mundo: se isso acontecer, as pessoas do tempo de Fārābī concluirão que Platão e Aristóteles não deram, como afirmam, argumentos demonstrativos, mas simplesmente deram mais argumentos dialéticos de ambos os lados de uma questão. Neste caso, Platão e Aristóteles não nos terão dado razões para acreditar na própria afirmação de que a filosofia nos permite dar argumentos demonstrativos e assim resolver as disputas aparentemente irresolúveis sobre questões fundamentais”. (S. Menn, p. 23)
Tadeu Verza e Meline Sousa
Saiba mais