Temáticas

Últimas publicações

Flusser transversal: debates contemporâneos

Vilém Flusser (1920-1991) é uma figura central nos estudos de mídia e comunicação. A partir de trabalhos como Filosofia da caixa preta, sua obra ganhou traduções e repercussão internacional, consolidando-o como um dos mais relevantes filósofos a ter desenvolvido parte significativa de sua trajetória no Brasil e em língua portuguesa. Flusser também é lembrado por formulações instigantes e por vezes provocadoras, como a afirmação: “Platão é o primeiro crítico de cinema” (Pós-história: vinte instantâneos e um modo de usar) ou a sugestão de que “uma mão com um pênis seria uma síntese entre freudismo e marxismo” (Études pour la main gauche).

Alice Zanon, Gabriel Philipson, Lara Cipriano, Luciana Nacif e Rafael Alonso

Saiba mais

As Regras para a orientação do espírito: uma interpretação da filosofia cartesiana

O texto das Regras revela diversos problemas filosóficos que ocuparão a mente de Descartes durante toda a sua trajetória intelectual. Nele, encontramos a organização e estruturação de certos elementos que compõem uma das primeiras tentativas do filósofo de resolver tais problemas. Essas tentativas do jovem Descartes, como foi apresentado, influenciam diretamente a maneira como ele tratará desses mesmos temas na maturidade. Da mesma forma, impactam na importância que Descartes atribui a certos temas, como a própria Filosofia Primeira. Ademais, o empreendimento das Regras revela o pensamento cartesiano em sua formação. As Regras para a orientação do espírito configuram uma parte ínfima do corpus cartesiano. São pouco mais de cem páginas e seu conteúdo não foi finalizado, mas abandonado com menos de metade do que havia sido projetado. As teorias e hipóteses apresentadas ali, quando comparadas com a doutrina cartesiana da maturidade, são apenas ensaios, tentativas que apresentam diversas dificuldades. O desenvolvimento do pensamento cartesiano que ocorre entre as Regras e as Meditações ou entre as Regras e os Princípios é evidente. Mesmo sem focar nas diferenças marcantes que a fundamentação metafísica opera, a filosofia da maturidade de Descartes destoa em diversos momentos da teoria da juventude. Entretanto, as Regras refletem o espírito cartesiano em seu início e, por isso, são imprescindíveis para compreender como Descartes chegou a ser o filósofo que compôs as Meditações. A filosofia da maturidade cartesiana lida incontestavelmente com as carências, defeitos, lacunas e problemas abordados nas Regras. É a partir desse tratado abandonado que podemos compreender o desenrolar do pensamento de Descartes. (p. 397)

Ana Cláudia Teodoro Sousa

Saiba mais

Depois da liberdade: ensaio sobre a dissolução ontológica do problema da dominação social

“The only thing preventing a holocaust is just so long as no one pulls the trigger – this is unthinkable” (Reagan, 1983). Apesar de ter sido pronunciada por Reagan, essa frase poderia muito bem estar nas entrelinhas da Dialética do esclarecimento. Há, me parece, uma conexão íntima, “estrutural”, entre a “dissolução da racionalidade política moderna em uma forma irracional de racionalidade” (Cerutti, 1987), a “dissolução da Dialética do esclarecimento” levada a cabo por Foucault e Habermas (Honneth, 1997), e aquilo que chamei aqui de dissolução ontológica do problema da dominação social. A “impensabilidade” da “ordem nuclear” expressa a mesma aporia com que Adorno e Horkheimer se defrontaram (Adorno; Horkheimer, 2006, p. 11) e que fora posteriormente rejeitada como uma impostura.” (p. 207)

“Convido a uma leitura que não oferece consolo. A tese de Rodolpho Venturini não restabelece a possibilidade de uma situação de “dominação total” nem abandona a crítica a um fatalismo paralisante. Mas ela insiste em manter em aberto a questão que a teoria crítica contemporânea pretendeu fechar: se, dadas certas condições históricas e materiais, uma ordem de dominação pode ser de fato irrevogável. Que essa questão não possa ser respondida a priori é precisamente o que torna necessária uma leitura como esta. Que ela deva ser mantida em suspenso – nem resolvida por liminar ou por decreto conceitual, nem transformada em profecia do colapso – é o que faz dessa pesquisa uma intervenção fundamentalmente crítica no pensamento contemporâneo. Uma intervenção que merece ser lida com toda a atenção que seu rigor conceitual e sua aposta política exigem.” (Prefácio)

“Mas, se é a Foucault que retorna, é no espírito, não na letra, e para ser mais foucaultiano do que Foucault (como só se revela no epílogo). Pois é justamente no arranjo da sociabilidade posto por um dispositivo técnico que Venturini vai buscar a solução do enigma. A denegação conceitual da dominação total só pode ter por correlato real a própria dominação total. Sua função é denegá-la, quase como que para preservar a própria posição institucional do “teórico crítico”. Sem pretender substituir os complexos diagnósticos frankfurtianos sobre a socialização total, Venturini os suplementa de uma maneira absolutamente surpreendente e vertiginosa.” (Posfácio)

Rodolpho Venturini

Saiba mais

Escritos filosóficos

“A noção de valor está no centro da filosofia. Toda a reflexão dirigida à noção de valor, a uma hierarquia de valores, é filosófica; todo esforço de pensamento dirigido a um objeto distinto do valor é, se examinado de perto, estranho à filosofia. Por isso, o próprio valor da filosofia está fora de discussão. Pois, de fato, a noção de valor está sempre presente no espírito de todos os seres humanos. Todo ser humano sempre orienta seus pensamentos e suas ações para algum bem, e ele não pode fazer de outro modo. Por outro lado, o valor é exclusivamente um objeto de reflexão; ele não pode ser um objeto de experiência. Em certo sentido, a lei da vida humana é, de início, filosofar, depois viver, já que a escolha entre a vida e a morte, em uma situação determinada, implica ela mesma uma comparação de valores”.

“…a filosofia não consiste numa aquisição de conhecimentos, como a ciência, mas numa mudança de toda a alma. O valor é alguma coisa que tem relação não somente com o conhecimento, mas com a sensibilidade e com a ação. Não há reflexão filosófica sem uma transformação essencial na sensibilidade e, na prática da vida, transformação que tem um peso equivalente tanto nas circunstâncias mais ordinárias, quanto nas mais trágicas da vida”.

“É assim que a cada instante da nossa vida somos invadidos como que do exterior pelas significações que nós mesmos lemos nas aparências. Também se pode discutir infinitamente sobre a realidade do mundo exterior, pois isso que chamamos o mundo são significações que lemos; consequentemente, isso não é real. Mas isso nos invade como que do exterior; consequentemente, isso é real. Por que querer resolver esta contradição, quando a tarefa mais elevada do pensamento sobre esta terra é a de definir e contemplar as contradições insolúveis que, como dizia Platão, nos arrastam para o alto?”

Simone Weil

Saiba mais

Kierkegaard e a tradição alemã

Há, ainda, algo de profundamente coerente entre o espírito deste livro e o próprio método indireto de Kierkegaard. Tal como em sua obra, não se oferece ao leitor uma doutrina a ser assimilada passivamente, mas um conjunto de provocações que exigem posicionamento. Cada capítulo, à sua maneira, convoca o leitor a sair da posição de espectador e a assumir a tarefa, sempre inacabada, de pensar por si mesmo. Nesse sentido, este livro não é apenas uma coletânea de estudos: é um convite. Um convite à reflexão rigorosa, à escuta atenta e, sobretudo, à coragem de enfrentar aquilo que, na filosofia, não pode ser reduzido a fórmulas: a própria existência. Que o leitor se deixe afetar por estas páginas não como quem percorre um território já conhecido, mas como quem se dispõe a habitar uma pergunta, pois, como nos lembra Kierkegaard, compreender não é o mesmo que existir, e é precisamente nesse intervalo que a filosofia encontra sua tarefa mais exigente e mais necessária. (Prefácio)

Jean dos Santos Vargas, Natália Mendes Teixeira e Tales Macêdo da Silva

Saiba mais

Inteligência e suas múltiplas perspectivas

“O que é, de fato, a inteligência? A maneira humana de pensar. Foi-nos dada, como o instinto à abelha, para dirigir nossa conduta. A natureza tendo nos destinado a utilizar e a dominar a matéria, a inteligência só evolui com facilidade no espaço e só se sente à vontade no inorganizado. Originariamente, tende à fabricação; manifesta-se através de uma atividade que preludia a arte mecânica e através de uma linguagem que anuncia a ciência”.

Guilherme Ferreira e Bruno Dinis

Saiba mais
Ver todas as publicações

Conheça nosso grupo editorial

Saiba mais