“A peculiaridade de boa parte da canção brasileira, sua sofisticação formal e poética, aliada ao consumo massificado, com pleno desenvolvimento de uma indústria cultural, aponta para um desenvolvimento sui generis, marcado, desde o início, pelo desejo de forjar uma identidade nacional por meio da cultura e que, no mínimo, problematiza o diagnóstico adorniano.
É tendo em vista o desenvolvimento sui generis da música popular no Brasil que os textos reunidos neste volume traçam amplo horizonte de reflexão, ressaltando ambiguidades inerentes a esse campo de estudos, em que, não raramente, convivem e se mesclam o erudito e o popular, a padronização comercial e a inovação artística de vanguarda.”
Eduardo L. A. Rodrigues, Wesley F. R. de Sousa e Luís Filipe de Lima Andrade
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“Essa capacidade de imaginar o jogo político é o que caracteriza, em certa medida, a experiência democrática. É claro que tal experiência é impossível na Europa do Antigo Regime e, de maneira geral, em toda sociedade na qual a ação política se trama em segredo, depende da decisão privada do Príncipe e de seu Conselho ou de um poder oligárquico. Nestes casos está ausente o poder de apreciar o jogo dos atores e, portanto, de fazer de si mesmo, pela imaginação, um ator virtual. Ora, é justamente isto que me parece sobressair da história da maior parte dos países da América Latina: o povo, na sua grande maioria, jamais esteve no passado em condições de acessar a inteligência da ação política. É como dizer que a fratura foi tão profunda entre, de um lado, o grande número — os camponeses, os trabalhadores, de maneira geral, os pobres — e, de outro, as elites, de modo que não houve a possibilidade de se conceber o que a intriga da política significava.” (Claude Lefort, Democracia e representação, p. 419)
Bruno V. Melo, Eduardo de A. Passos, Ana L. Feliciano, Arthur S. Christo, Fernanda A. Galina e Yago P. Lima
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Prefácio de Rodrigo Duarte
“Como distinguir uma toalha de banho bege de uma toalha de banho bege da marca Balenciaga? Certamente não seria por suas características estéticas. Esses objetos são praticamente indiscerníveis, não fosse pela logomarca estampada sobre um deles, simbolizando a ação “mágica” operada pelos agentes e instituições de validação da indústria da moda, com o objetivo de elevar uma simples toalha à condição de objeto de culto. O que essa operação sugere é que, por mais distantes que nos julguemos da magia, ainda permanecemos, de algum modo, presos a ela. Está em jogo, porém, não uma questão mística, mas um poderoso mecanismo de criação de valor simbólico que interfere diretamente nas relações sociais. O processo de valorização da moda industrial contemporânea aproxima-se, nesse sentido, da estrutura do ritual mágico tal como descrito por Mauss e Hubert: ambos se fundam numa crença coletiva a priori, ambos operam como cadeias de representações que precedem e condicionam a experiência. E, como toda crença, seu modus operandi exige ocultação: é precisamente essa invisibilidade que garante sua eficácia” (p. 74).
Luciana Nunes Nacif
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Prefácio de Rodrigo Duarte
“Embora o Brasil seja um país periférico em relação aos Estados Unidos e aos países europeus, ele é um centro cultural, especialmente em relação a outros países periféricos. Em outras palavras, o Brasil é economicamente periférico, mas culturalmente central.” (p.191)
Lara Carvalho Cipriano
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“Aqueles que especulam estão confusos sobre a questão da recorrência e se é necessário que, quando a mesma configuração da esfera se repete, as coisas terrestres voltam a ocorrer, sendo semelhantes às que existiam antes. Quanto à recorrência do mesmo particular que foi aniquilado, isso não acontece: nem a configuração nem as coisas terrestres voltam a ocorrer enquanto são as mesmas em número. De fato, a mesma coisa que desaparece não volta a ocorrer. Aquele que discordar disso deve se envergonhar de si mesmo até que sua desgraça na filosofia primeira seja removida.” (Avicena)
“Primeiramente, portanto, no que diz respeito à geração ou à corrupção, deve-se sustentar, de acordo com a fé, que o céu foi criado sobrenaturalmente e também é aniquilável. Mas também deve ser dito que o céu não é naturalmente gerável nem corruptível. E a razão é: porque não tem substância; e tudo o que pode ser gerado ou corruptível naturalmente tem matéria. E também porque o céu não tem nada contrário aos outros corpos, nem segundo a sua substância nem segundo as suas disposições naturais; e assim não é corruptível.” (Jean Buridan)
Fátima R. R. Évora, Tadeu M. Verza e Meline C. Sousa
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“A música, portanto, ocupa um papel central na reflexão filosófica. De modo que as considerações anteriores acerca da filosofia moderna fornecem tanto um pano de fundo temático, quanto uma transição histórica-filosófica para pensar a música como objeto privilegiado do presente volume. Dada a relevância do tema, o presente volume, “Filosofia Crítica da Música”, terceiro da Quadrilogia Filosofia da Música, aborda em quatro capítulos essa problemática em relação às suas disputas internas, à questão estética e à indústria cultural. A reflexão filosófica, portanto, ganha conformação rigorosa a partir da análise histórica das condições de produção, reprodução e recepção da música” (p. 15).
Eduardo L. A Rodrigues, Wesley F. R. de Sousa e Luís Felipe de Lima Andrade
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