Ética e Filosofia Política

Publicações

Cem anos de Claude Lefort: a obra se fazendo

“Essa capacidade de imaginar o jogo político é o que caracteriza, em certa medida, a experiência democrática. É claro que tal experiência é impossível na Europa do Antigo Regime e, de maneira geral, em toda sociedade na qual a ação política se trama em segredo, depende da decisão privada do Príncipe e de seu Conselho ou de um poder oligárquico. Nestes casos está ausente o poder de apreciar o jogo dos atores e, portanto, de fazer de si mesmo, pela imaginação, um ator virtual. Ora, é justamente isto que me parece sobressair da história da maior parte dos países da América Latina: o povo, na sua grande maioria, jamais esteve no passado em condições de acessar a inteligência da ação política. É como dizer que a fratura foi tão profunda entre, de um lado, o grande número — os camponeses, os trabalhadores, de maneira geral, os pobres — e, de outro, as elites, de modo que não houve a possibilidade de se conceber o que a intriga da política significava.” (Claude Lefort, Democracia e representação, p. 419)

Bruno V. Melo, Eduardo de A. Passos, Ana L. Feliciano, Arthur S. Christo, Fernanda A. Galina e Yago P. Lima

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Normatividade moral

“Para além da questão sobre se há um significado geral comum para “normatividade”, parecemos também enfrentar dificuldades mesmo circunscrevendo a questão ao domínio da moralidade, que é o tema central deste livro. Em geral, partimos do pressuposto [como um dado] de que a moralidade é normativa. […] A despeito disso, possuímos pouca clareza (e parecemos divergir de modo significativo) sobre o que se pode substancialmente extrair daquele “dado”. Atenção a essa dificuldade sobre o que derivar do pressuposto de que o domínio da moralidade é normativo é algo raramente explicitado na literatura contemporânea sobre ética e metaética. Decerto há disponível nessa literatura um extenso leque de propostas sobre a natureza e o conteúdo da normatividade moral. Mas o grande desafio é saber se aquele “dado” do qual partimos é suficiente para justificar expectativas de que seja possível unificar o fenômeno em torno de um conceito unívoco.”

Leonardo de M. Ribeiro; Rogério A. Picoli e Vitor Sommavilla

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Para além do regime misto: os fundamentos conflituais da potência da república romana nos Discorsi de Maquiavel

Prefácio de Gabriel Pancera

“No contexto das disputas militares, os fundamentos dos estados são relevados, descobrimos a sua capacidade de responder às demandas da ocasião: na guerra as repúblicas e os príncipes são testados conforme respondem às contingências e adversidades. O ordenamento conservador de Esparta e Veneza fracassa porque a indeterminação, enquanto fato estruturante da vida política, lhe escapa: nem todas as conquistas e expansões militares podem ser fruto de uma decisão racional dos dirigentes políticos do estado; por vezes, é a única alternativa a ser conquistada por seus vizinhos. Todos os esforços político-institucionais isolacionistas que podem ser tomados de antemão serão sempre vãos contra a contingência. A segurança nunca pode ser suficiente ao estado […]. Ao tomar o conflito como ponto de partida de uma teoria da potência e da liberdade do estado, Maquiavel avança uma inovadora concepção da república. A unidade do corpo social não deriva de mecanismos externos de produção de consenso, tampouco recorre à referência abstrata a algum elemento comum que lhe pudesse ordenar. Ao contrário, a continuidade espaço-temporal de um regime depende da diferença, da energia que se extrapola quando o corpo social se revela como atravessado pela divisão entre os desejos do povo e dos grandes. O sentido de Roma é assim reescrito, posto que iluminado à luz do conhecimento da relação entre o acidental e o necessário. Em seus conflitos, Roma é constantemente confrontada com a possibilidade de sua dissolução, quer na exasperação de sua divisão que conduzisse à ruína da cidade, quer na possibilidade que um homem ou grupo de homens possa pretender tiranizar a república ao explorar suas divisões. Apesar e em virtude disso, seu modelo é intrinsecamente superior, porque compreende a contingência e dela se apropria.”

Yago Lima Pessoa

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Maquiavel e a História de Florença

“Na história, se alguma coisa há que deleite ou ensine, é a descrição em particularidades e, se alguma lição há que seja útil aos cidadãos que governam as repúblicas, é aquela que demonstra os motivos dos ódios e das divisões das cidades, para que, diante do perigo em que incorreram outros, eles possam ganhar sabedoria e manter-se unidos”. (Maquiavel, História de Florença)

Hellton Adverse (Org.)

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Acerca da liberdade pós-moral em Nietzsche

Ana Teresa Campos Souza

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Leo Strauss e a crítica ao historicismo: uma introdução à filosofia política a partir da perspectiva straussiana

Izabella Corrêa M. Coutinho

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