Prefácio de Ernesto Perini-Santos
[…] ganhamos com Quine o sentido relacional de crenças e os perigos dos Casos de Frege no contexto do Pensamento Singular não mediado. Este contexto alinha, desde seu início, o projeto kaplaniano com uma solução referencialista ao Enigma. Precisamos de uma teoria da mediação conceitual em casos de referência singular compatível com os resultados semânticos e meta-semânticos da Referência Direta. A distinção kaplaniana entre conteúdo descritivo e caráter genético é a base de tal teoria da mediação, quer dizer, de uma teoria de conceitos singulares. As propriedades mais importantes destes conceitos são seu caráter relacional, seguindo aqui Bach e Recanati, e sua estrutura interna (que suporta o aspecto dinâmico de atualização de informação). A referência, sua origem genética, é fixada independentemente da satisfação ou não de propriedades descritivas. Entretanto, tais propriedades descritivas são absorvidas no quadro, seguindo a clássica constatação referencialista da variabilidade de informações associadas por cada falante aos termos da língua. Neste contexto é que a metáfora de arquivos mentais é utilizada. Um arquivo não passa de um conceito singular relacional que possui a função de armazenar informações tidas como satisfeitas pela referência do mesmo. Os apontamentos de Perry e Recanati, teóricos centrais desta abordagem, claramente absorvem a estrutura dual dos conceitos kaplanianos, lá chamados de nomes vívidos. Esta é a primeira etapa da compatibilização da teoria de arquivos com o referencialismo: a inovação meta-semântica de Donnellan, Kripke, Putnam e Kaplan é adaptada. Seguindo Evans, Recanati constrói as chamadas Relações-ER não apenas como relações causais, mas como canais informacionais que nos ajudam a individuar arquivos e determinar seus tipos (sejam conceitos egocêntricos ou entradas enciclopédicas) (p. 173-4).
Victor Angelucci
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Tradução de Marcos Sousa
“ […] cheguei à conclusão de que ambos os conceitos de probabilidade são necessários, razão pela qual desenvolvo uma posição dualista neste livro, que se preocupa sobretudo com a elaboração dos princípios de ligação entre os dois conceitos de probabilidade. Isso começa com o fato de eu desenvolver a função de probabilidade sobre a álgebra das propriedades ou das proposições de uma linguagem interpretada, porque só assim a diferença lógica entre a probabilidade estatística e a epistêmica (a primeira tem fórmulas abertas e a segunda tem sentenças como argumentos) é explicitada, o que é pré-requisito para a elaboração dos princípios-ponte que as conectam. Com base em uma passagem bem conhecida de Kant, a posição dualística pode ser formulada da seguinte forma: a teoria subjetiva sem a teoria estatística da probabilidade é cega (pois é irracional), e a teoria estatística sem a teoria subjetiva da probabilidade é vazia (pois não tem referência empírica).”
Gerhard Schurz
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Prefácio de Patrícia Kauark Leite
“Como regras normativas, o espaço e o tempo são formas de ordenação das sensações na medida em que percebemos as coisas como fora de nós e como distintas umas das outras no espaço e na medida em que percebemos as coisas como simultâneas ou sucessivas. Uma objeção possível a essa ideia é a de que o espaço e o tempo não poderiam ser normas uma vez que, como intuições, são representações invioláveis. Não poderíamos perceber as coisas sem ser no espaço e no tempo. Contudo, uma regra normativa da percepção é aquela que instaura o modo pelo qual os objetos devem ser percebidos e possamos ter um padrão segundo o qual seja possível garantir que o que percebemos condiz com a disposição das coisas no mundo, tendo em vista que é possível que os sentidos “nos enganem” de alguma forma. O engano dos sentidos ocorre por uma desconformidade entre o conteúdo apresentado pelas sensações e a forma das intuições.”
Maria Carolina Mendonça de Resende
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Russell, buscando responder ao ceticismo, exige que tomemos o hard data como indubitável. O método de Russell busca, em suas palavras, “montar um zoológico de formas lógicas” 68 (PLA, p. 47). Paralelamente, Wittgenstein quer fazer jus ao ordinário; para isso, a tarefa da filosofia será meramente apontar aquilo que garante a ordem lógica da linguagem ordinária (NB, 1.5.15e), isto é, a tarefa da filosofia será o estudo da linguagem de sinais (TLP, 4.1121).
Gabriel Guedes Silva
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“Como se deve elaborar o pensamento de que nossas capacidades cognitivas são atualizadas na própria experiência perceptual, e não apenas nos juízos em que um sujeito responde à sua experiência perceptual?
De certa forma alinhado com a chamada “Escola de Filosofia de Pittsburgh”, proponho tratar dessa questão seguindo os passos dados por pessoas como John McDowell, que buscam explorar a relação entre pensamento, linguagem e experiência não apenas a partir de ideias encontradas no trabalho de filósofos analíticos contemporâneos como Frege, Sellars e Travis, mas também por meio das lentes de pensadores tradicionalmente estranhos à tradição analítica ‒ certamente Hegel, mas também, e de forma bastante significativa, Kant.”
Daniel Debarry
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Verônica de Souza Campos
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