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O tempo de edição dos livros é variado, sendo definido diretamente entre a Editora e os autores/tradutores após o processo de aprovação.

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Temáticas

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A estrutura normativa da percepção: uma abordagem kantiana

Prefácio de Patrícia Kauark Leite

“Como regras normativas, o espaço e o tempo são formas de ordenação das sensações na medida em que percebemos as coisas como fora de nós e como distintas umas das outras no espaço e na medida em que percebemos as coisas como simultâneas ou sucessivas. Uma objeção possível a essa ideia é a de que o espaço e o tempo não poderiam ser normas uma vez que, como intuições, são representações invioláveis. Não poderíamos perceber as coisas sem ser no espaço e no tempo. Contudo, uma regra normativa da percepção é aquela que instaura o modo pelo qual os objetos devem ser percebidos e possamos ter um padrão segundo o qual seja possível garantir que o que percebemos condiz com a disposição das coisas no mundo, tendo em vista que é possível que os sentidos “nos enganem” de alguma forma. O engano dos sentidos ocorre por uma desconformidade entre o conteúdo apresentado pelas sensações e a forma das intuições.”

Maria Carolina Mendonça de Resende

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Para além do regime misto: os fundamentos conflituais da potência da república romana nos Discorsi de Maquiavel

Prefácio de Gabriel Pancera

“No contexto das disputas militares, os fundamentos dos estados são relevados, descobrimos a sua capacidade de responder às demandas da ocasião: na guerra as repúblicas e os príncipes são testados conforme respondem às contingências e adversidades. O ordenamento conservador de Esparta e Veneza fracassa porque a indeterminação, enquanto fato estruturante da vida política, lhe escapa: nem todas as conquistas e expansões militares podem ser fruto de uma decisão racional dos dirigentes políticos do estado; por vezes, é a única alternativa a ser conquistada por seus vizinhos. Todos os esforços político-institucionais isolacionistas que podem ser tomados de antemão serão sempre vãos contra a contingência. A segurança nunca pode ser suficiente ao estado […]. Ao tomar o conflito como ponto de partida de uma teoria da potência e da liberdade do estado, Maquiavel avança uma inovadora concepção da república. A unidade do corpo social não deriva de mecanismos externos de produção de consenso, tampouco recorre à referência abstrata a algum elemento comum que lhe pudesse ordenar. Ao contrário, a continuidade espaço-temporal de um regime depende da diferença, da energia que se extrapola quando o corpo social se revela como atravessado pela divisão entre os desejos do povo e dos grandes. O sentido de Roma é assim reescrito, posto que iluminado à luz do conhecimento da relação entre o acidental e o necessário. Em seus conflitos, Roma é constantemente confrontada com a possibilidade de sua dissolução, quer na exasperação de sua divisão que conduzisse à ruína da cidade, quer na possibilidade que um homem ou grupo de homens possa pretender tiranizar a república ao explorar suas divisões. Apesar e em virtude disso, seu modelo é intrinsecamente superior, porque compreende a contingência e dela se apropria.”

Yago Lima Pessoa

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Genealogia, um modelo de teoria crítica? O debate Foucault-Habermas e o sentido da crítica social

“Na referência constante ao pensamento de Foucault no interior da tradição, me parece que se expressa um problema e uma questão que é incessantemente recolocada: afinal, a genealogia pode ou não ser compreendida como um modelo de teoria crítica coerente em si mesmo? Ela precisa ou não de uma complementação ou de uma fundamentação? Qual seria o papel desempenhado pela genealogia na elaboração de um discurso crítico? Em que medida ela seria de fato candidata a funcionar como um modelo para a crítica social? Aqui, procurei abordar o que está em jogo nessas questões a partir das três noções em torno das quais elas se organizam, quais sejam: as noções de crítica, poder e racionalidade. Partindo dessas três noções, procurei entender a maneira como a questão sobre a possibilidade ou não de se compreender a genealogia como um modelo de teoria crítica aparece no interior da tradição. O ponto de partida, como não poderia deixar de ser, é o chamado debate Foucault-Habermas.” (p. 10)

Rodolpho Venturini

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Estudos em história da filosofia árabe e islâmica, vol. 2, pt. 1: aspectos doutrinários, al-Farabi

“Para Fārābī, o verdadeiro problema é que, quando as esperanças das pessoas de que os argumentos do kalām produzirão conhecimento são abaladas pela experiência dos argumentos contrários, elas podem perder a fé no poder da razão para resolver as disputas: elas podem concluir que qualquer argumento tem um contra-argumento igualmente bom ou, de qualquer modo, um contra-argumento suficientemente bom para que não possamos julgar racionalmente entre eles. É supostamente desta situação que a filosofia grega e, em particular Platão e Aristóteles, nos salvaria. A salvação falhará se se verificar que Platão e Aristóteles se contradizem, por exemplo, na questão da eternidade do mundo: se isso acontecer, as pessoas do tempo de Fārābī concluirão que Platão e Aristóteles não deram, como afirmam, argumentos demonstrativos, mas simplesmente deram mais argumentos dialéticos de ambos os lados de uma questão. Neste caso, Platão e Aristóteles não nos terão dado razões para acreditar na própria afirmação de que a filosofia nos permite dar argumentos demonstrativos e assim resolver as disputas aparentemente irresolúveis sobre questões fundamentais”. (S. Menn, p. 23)

Tadeu Verza e Meline Sousa

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Wittgenstein e o construcionismo de Bertrand Russell: Navalha de Occam, ceticismo e a diferença entre os métodos

Russell, buscando responder ao ceticismo, exige que tomemos o hard data como indubitável. O método de Russell busca, em suas palavras, “montar um zoológico de formas lógicas” 68 (PLA, p. 47). Paralelamente, Wittgenstein quer fazer jus ao ordinário; para isso, a tarefa da filosofia será meramente apontar aquilo que garante a ordem lógica da linguagem ordinária (NB, 1.5.15e), isto é, a tarefa da filosofia será o estudo da linguagem de sinais (TLP, 4.1121).

Gabriel Guedes Silva

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Maquiavel e a História de Florença

“Na história, se alguma coisa há que deleite ou ensine, é a descrição em particularidades e, se alguma lição há que seja útil aos cidadãos que governam as repúblicas, é aquela que demonstra os motivos dos ódios e das divisões das cidades, para que, diante do perigo em que incorreram outros, eles possam ganhar sabedoria e manter-se unidos”. (Maquiavel, História de Florença)

Hellton Adverse (Org.)

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