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Após a beleza: Hegel e a filosofia do modernismo pictórico

“A prostituição é um assunto sensível para a sociedade burguesa porque sexualidade e dinheiro estão entrelaçados. Existem obstáculos à representação de ambos, e quando os dois se cruzam, há uma sensação desconfortável de que algo na natureza do capitalismo está em jogo – ou, pelo menos, não está devidamente oculto” […] “que está em jogo são questões já familiares como a mercantilização da vida humana, a difusão dos imperativos capitalistas, como disse acima, para a “textura das relações humanas” – e a ruptura que Manet causa no regime de significação da vida
capitalista, sendo, portanto, uma ameaça à significação em geral”.

Robert B. Pippin (Tradução de Guilherme Ferreira)

Aceito os Termos de uso e condições.

Em suas preleções berlinenses sobre belas-artes, Georg Wilhelm Friedrich Hegel sustentou que a arte envolve uma forma singular de inteligibilidade estética, marcada pela expressão de uma autocompreensão coletiva distinta, que se desenvolve ao longo da temporalidade histórica. Essa abordagem exerceu influência em diversos contextos, mas, para a ironia histórica, Hegel faleceu pouco antes da mais radical revolução artística da história: o modernismo. Em Após a beleza, Robert B. Pippin, examinando pinturas modernistas de artistas como Édouard Manet e Paul Cézanne à luz de Hegel, realiza aquilo que o filósofo de Stuttgart não teve a oportunidade de fazer: confrontar-se com a pintura modernista e com os fracassos socioinstitucionais da era moderna. Entrelaçando elegantemente filosofia e história da arte, Após a beleza constitui uma impressionante reavaliação do projeto modernista, com base em uma sofisticada exploração da posição de Hegel e de suas implicações para a modernidade. Para o autor, se Hegel tivesse conhecido o modo como as instituições sociais de sua época acabariam fracassando na realização de sua própria concepção genuína de igualdade – o reconhecimento mútuo –, teria sido levado a investigar uma função nova e distinta para a arte moderna. A elucidação dessa inovação envolve, por um lado, a centralidade do modernismo de Manet, apresentado pelos historiadores da arte T. J. Clark e Michael Fried e, por outro, a proeminência do modernismo de Cézanne, cujas obras iluminam a relação entre Hegel e o filósofo que desafiaria a interpretação hegeliana tanto da modernidade quanto da arte: Martin Heidegger. Com base nessa equação, Após a beleza – uma obra que resulta das “Preleções sobre Adorno”, ofertadas por Pippin na Johann Wolfgang Goethe-Universität, em junho de 2011 – alcança o núcleo do significado do próprio modernismo e daquilo que significa, para a arte, possuir uma história. Trata-se, pois, de um sofisticado testemunho hegeliano das diferentes realizações filosóficas da arte modernista na era instável, tumultuada e herdada por todos nós.

Agradecimentos

Nota do tradutor

Prefácio à edição brasileira

1 Introdução

2 Filosofia e pintura: Hegel e Manet

3 Política e ontologia: Clark e Fried

4 Arte e verdade: Heidegger e Hegel

5 Considerações finais

Bibliografia

Robert B. Pippin é Professor Evelyn Stefansson Nef no Comitê de Pensamento Social, no Departamento de Filosofia e na Faculdade da University of Chicago. É autor de vários livros e artigos sobre o idealismo alemão e filosofia alemã, incluindo Kant’s Theory of Form; Hegel’s Idealism: The Satisfactions of Self-Consciousness; Modernism as a Philosophical Problem; Idealism as Modernism: Variations; Die Verwirklichung der Freiheit; Persistence of Subjectivity: On the Kantian Aftermath; Nietzsche, moraliste français: La conception nietzschéenne d’une psychologie philosophique e Fatalism in American Film Noir: Some Cinematic Philosophy. Ele foi duas vezes bolsista Alexander von Humboldt, é vencedor do Mellon Distinguished Achievement Award em Humanidades e foi igualmente bolsista da Wissenschaftskolleg zu Berlin. Atualmente, é bolsista da American Academy of Arts and Sciences, membro da American Philosophical Society e da German National Academy of Arts and Sciences.

Guilherme Ferreira é psicanalista, tradutor, professor voluntário do Departamento de Filosofia da UFMG e editor-chefe da Outramagem (Revista do Programa de Pós-graduação em Filosofia da UFMG). É Pós-doutor em filosofia pela Christian-Albrechts-Universität zu Kiel (2023-2024) e pela Universidade Federal de Minas Gerais (2024-2025). Possui doutorado em Filosofia pela mesma universidade (2022), com estágio de pesquisa na Freie Universität Berlin (2019-2020). Desenvolveu projetos de pesquisa como bolsista da CAPES, da CAPES-Print e do DAAD. Tem experiência nas áreas de Estética e Filosofia da Arte (estéticas do Romantismo e do Idealismo alemães, Teorias da Arte Moderna e Contemporânea) e de Filosofia Moderna e Contemporânea (Metafísica e Ontologia, Idealismo Alemão, Pensamento Latino-americano e Brasileiro, psicanálise.

Título: Após a beleza: Hegel e a filosofia do modernismo pictórico
Autor: Robert B. Pippin
Tradutor: Guilherme Ferreira
Editora: Ed. PPGFIL-UFMG
Páginas: 274
Formato: PDF
ISBN: 978-65-02-05896-1
DOI: 10.5281/zenodo/18644030