Prefácio de Rodrigo Duarte
“Embora o Brasil seja um país periférico em relação aos Estados Unidos e aos países europeus, ele é um centro cultural, especialmente em relação a outros países periféricos. Em outras palavras, o Brasil é economicamente periférico, mas culturalmente central.” (p.191)
Lara Carvalho Cipriano
Saiba mais
“A música, portanto, ocupa um papel central na reflexão filosófica. De modo que as considerações anteriores acerca da filosofia moderna fornecem tanto um pano de fundo temático, quanto uma transição histórica-filosófica para pensar a música como objeto privilegiado do presente volume. Dada a relevância do tema, o presente volume, “Filosofia Crítica da Música”, terceiro da Quadrilogia Filosofia da Música, aborda em quatro capítulos essa problemática em relação às suas disputas internas, à questão estética e à indústria cultural. A reflexão filosófica, portanto, ganha conformação rigorosa a partir da análise histórica das condições de produção, reprodução e recepção da música” (p. 15).
Eduardo L. A Rodrigues, Wesley F. R. de Sousa e Luís Felipe de Lima Andrade
Saiba mais
“O que pretendi, nesses escritos, foi defender a ideia de que a dança é uma atividade que não apenas coreografa gestos, mas que, em profundidade, cartografa, com eles, os trajetos das sensações, as coreografias sensíveis que desenham o espaço, distribuindo a diferença no tempo. Além de muitas outras coisas, dançar é também – e fundamentalmente – experimentar e expressar a dimensão coreográfica do sensível, seus potenciais relacionais, seus processos de emergência, duração e devir. Dançar é se colocar no meio de cinéticas, dinâmicas e rítmicas que ultrapassam o corpo que dança, é se deixar mutar, mesmo que momentaneamente, por essa participação. Porque transforma os estados dos corpos nas quais se passa, fazendo deles campos mocionais-relacionais por onde as sensações circulam, dançar põe em marcha um certo tipo de pensamento que acompanha esses processos, um pensamento que emerge lá onde emerge e dura a sensação, que se movimenta e devém com ela. Um pensamento, portanto, que não representa, mas que testemunha e expressa diretamente as cinéticas do sensível e suas respectivas cinestesias; que é, afinal, uma forma qualificada de sentir.”
Ana Rita Nicoliello
Saiba mais
O presente volume, “Filosofia e história da música”, segundo da Quadrilogia filosofia da música, apresenta-se como um gesto tanto de continuidade quanto de revisão. Continuidade, porque retoma o vínculo ancestral entre a música e a filosofia ‒ laço que une som e ideia, forma e pensamento. Revisão, porque se propõe a escutar esse vínculo com mais atenção, reconhecendo a pluralidade de vozes, de tempos históricos, de contextos culturais e de experiências sensíveis que compõem o campo musical. Além de se propor a instaurar um espaço de diálogo contínuo entre filosofia e música, este projeto almeja abrir horizontes para que, progressivamente, possamos incluir outras trajetórias, vozes e experiências. Mais do que oferecer respostas, nosso intuito é dar um passo ‒ passo inicial, mas firme ‒ na direção de um campo mais amplo, plural e crítico de reflexão.
Essas vozes, entre muitas outras, compõem um campo vasto, plural e em permanente transformação, no qual a música é pensada não apenas como linguagem artística, mas como força ontológica, como símbolo filosófico, como prática cultural e como dispositivo ético. Esse é o pano de fundo em que se inscreve o presente volume.
“Filosofia e história da música”, segundo título da Quadrilogia filosofia da música ‒ projeto que tem como objetivo afirmar, no contexto brasileiro, um espaço fecundo e sistemático de reflexão filosófica sobre a música.
Eduardo L. A Rodrigues, Wesley F. R. de Sousa e Luís Felipe de Lima Andrade
Saiba mais
“A principal pergunta em torno do porquê Beethoven ocupar um lugar de destaque na história da música não seria algo trivial e se desdobra com consequências no pensamento estético moderno e contemporâneo. O presente volume desta coletânea – o primeiro de uma série de 4 volumes – parte de tal pressuposto. Seria Ludwig van Beethoven (1770-1827) um “paradigma” na história da música, a ponto de merecer toda uma vasta discussão, interpretação e comentários em torno de sua obra? A resposta pode ser positiva, ainda mais se levando em conta toda uma historiografia, estudos musicólogos e o legado artístico e cultural. Se analisarmos, ao menos por alto, a vasta bibliografia que temos disponível, seja na musicologia, seja na estética filosófica, é plausível pensar aceitavelmente essa afirmativa. Não apenas para a musicologia, mas no pensamento estético-filosófico da música, uma afirmação desta natureza toma por investigação aquilo que ultrapassa, sem dúvidas, os aspectos intrínsecos da obra do compositor. Embora seja lugar-comum a genialidade criativa em volta de seu nome, esta condição contém também aspectos extrínsecos de seus conteúdos. Quando se trata de uma interpretação de obras, autores(as) e suas recepções, tais elementos formam, grosso modo, um tripé do qual a sua objetividade é histórica. A maneira como apreciamos a música de concerto ou a leitura de um poema, por exemplo, teria, em certas acepções, mais a ver com a instância de recepção (lugar, contexto material, estado psíquico e afins) do que essencialmente as qualidades internas a priori de uma obra.”
Wesley Sousa
Eduardo Rodrigues, Wesley Sousa e Luís Andrade
Saiba mais