Russell, buscando responder ao ceticismo, exige que tomemos o hard data como indubitável. O método de Russell busca, em suas palavras, “montar um zoológico de formas lógicas” 68 (PLA, p. 47). Paralelamente, Wittgenstein quer fazer jus ao ordinário; para isso, a tarefa da filosofia será meramente apontar aquilo que garante a ordem lógica da linguagem ordinária (NB, 1.5.15e), isto é, a tarefa da filosofia será o estudo da linguagem de sinais (TLP, 4.1121).
Gabriel Guedes Silva
Aceito os Termos de uso e condições.
Busquei determinar o método de Wittgenstein no Tractatus Logico-Philosophicus com a ajuda dos Notebooks 1914-1916, nos quais, junto a uma crítica ao método de Bertrand Russell, Wittgenstein diz que seu método é de ver a rigidez do tenro, e não de separar o rígido do tenro mole. Primeiramente, discuto o método de Russell em Scientific Method in Philosophy, e em seguida em Our Knowledge of The External World e então mostro que o principal alvo da crítica de Wittgenstein é o construcionismo russelliano, i.e., a ideia de que devemos nosso conhecimento sobre o mundo exterior a partir do caráter indubitável dos sense-data e das verdades da lógica (isto é, tomá-los como um “hard data”). Argumento que tal construção é, para Russell, uma estratégia contra o ceticismo universal que é derivada de um uso particular da “Navalha de Occam”. Entretanto, de acordo com Wittgenstein, o ceticismo não é uma posição filosófica legítima que precisa de uma resposta, mas uma visão contrassensual a ser eliminada (aqui temos o uso correto da navalha de Occam, de acordo com Wittgenstein). Isso é o que o método do “estudo da linguagem de sinais” de Wittgenstein mostra quando ele nos permite a ver como o simbolismo lógico expressa a rigidez (ou firmeza) de nossa linguagem (o tenro).
Apresentação
Introdução
1 O método de Russell em seu Scientific Method in Philosophy
1.1 O que Wittgenstein teria lido?
1.2 Método, métodos e submétodos
1.3 A apresentação do método em O método científico na filosofia
2 A ilustração do construcionismo
2.1 O caráter programático de Our Knowledge of the External World
2.2 O uso da palavra “lógico”
2.3 O valor de uma teoria científica
2.4 A aplicação do método
2.5 O que é, portanto, o método científico de se filosofar?
3 O método de Wittgenstein
3.1 a: O estatuto das leis lógicas e a disputa sobre o caráter da generalidade
3.2 b e c: O nonsense da dúvida cética e o que pode ser dito
3.3 d: Filosofia que deve desaparecer
3.4 e: A diferença entre os métodos
3.5 f: Questões que não dizem respeito ao filósofo
3.6 g: O método de Russell e o método da física
3.7 A determinação do método de Wittgenstein a partir do método de Russell
Considerações finais
Gabriel Guedes Silva é doutorando em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Atualmente pesquisa o uso de experimentos de pensamento na obra de Wittgenstein, com ênfase em seu período intermediário. Em 2023 concluiu o mestrado sobre método em Bertrand Russell e no Tractatus de Wittgenstein, também na UFMG, sob a orientação do professor Mauro Engelmann. Possuí interesse em História da Filosofia Analítica, Lógica, Filosofia da Linguagem e Filosofia da Ciência.
Título: Wittgenstein e o construcionismo de Bertrand Russell: Navalha de Occam, ceticismo e a diferença entre os métodos
Autor: Gabriel Guedes Silva
Editora: Ed. PPGFIL-UFMG
Páginas: 200
Formato: PDF
ISBN: 978-65-01-57891-0
DOI: 10.5281/zenodo.16934745