“Essa capacidade de imaginar o jogo político é o que caracteriza, em certa medida, a experiência democrática. É claro que tal experiência é impossível na Europa do Antigo Regime e, de maneira geral, em toda sociedade na qual a ação política se trama em segredo, depende da decisão privada do Príncipe e de seu Conselho ou de um poder oligárquico. Nestes casos está ausente o poder de apreciar o jogo dos atores e, portanto, de fazer de si mesmo, pela imaginação, um ator virtual. Ora, é justamente isto que me parece sobressair da história da maior parte dos países da América Latina: o povo, na sua grande maioria, jamais esteve no passado em condições de acessar a inteligência da ação política. É como dizer que a fratura foi tão profunda entre, de um lado, o grande número — os camponeses, os trabalhadores, de maneira geral, os pobres — e, de outro, as elites, de modo que não houve a possibilidade de se conceber o que a intriga da política significava.” (Claude Lefort, Democracia e representação, p. 419)
Bruno V. Melo, Eduardo de A. Passos, Ana L. Feliciano, Arthur S. Christo, Fernanda A. Galina e Yago P. Lima
Aceito os Termos de uso e condições.
Essa obra reúne interpretações filosóficas em torno da obra de Claude Lefort, que conta com pesquisadores e pesquisadoras do Brasil e do mundo. Os leitores e leitoras, terão contato ainda com uma exuberante Introdução ao Trabalho da obra Maquiavel, feita por Marilena Chaui nos anos de 970 que tivemos a oportunidade de editar, atualizar e transcrever. Também estão reunidos nessa obra, a tradução inédita para o português do ensaio de Lefort Democracia e Representação e a também inédita tradução de Ação política perante a indeterminação democrática de Pierre Manent. Nas linhas que compuseram essa obra, estaremos em contato profundo com a interrogação filosófica e os entrelaçamentos concretos e virtuais de novos horizontes para a filosofia política contemporânea.
Apresentação
Bruno Victor Melo e Eduardo de Arruda Passos
Interpretações da obra
1. Ação política, a política e o político na obra de Lefort
Gilles Bataillon
2. Lefort pensador da carne do social
Paula Gabriela Mendes Lima
3. Do comportamento simbólico em Merleau-Ponty à democracia moderna em Lefort
Silvana de Souza Ramos
4. Do corpo próprio à práxis selvagem: Lefort, Merleau-Ponty e a invenção de uma vida democrática
Bruno Victor Melo
5. Democracia selvagem, democracia insurgente: continuidades e rupturas em Lefort e Abensour
Eduardo de Arruda Passos
6.Um circuito aberto. Reflexões sobre a instituição da obra de pensamento em Lefort a partir de Merleau-Ponty
Bruno Victor Melo
7. O simbólico em ação: democracia e direitos humanos em Lefort
Martha Coletto Costa
8. Claude Lefort: sobre a servidão voluntária, ou a reversão da liberdade em servidão
Claudia Hilb
9. Claude Lefort: o pensamento heroico
Marilena Chaui
10. Lefort e o totalitarismo soviético
Newton Bignotto
11. A questão do poder: o delineamento de novas figuras no horizonte político
Martín Plot
12. Claude Lefort, democracia e a dimensão simbólica do poder. Uma leitura em diálogo com a Revolução Francesa
Edgar Straehle
13. A fenomenologia de Lefort
Luiz Damon Santos Moutinho
14. Revisitando um debate sobre “Droits de l’homme et politique”: até que ponto os direitos humanos são políticos?
Felipe Freller
15. O Maquiavel de Claude Lefort. A construção de uma interpretação
Helton Adverse
Traduções
1. Democracia e Representação
Claude Lefort
2. A ação política perante a indeterminação democrática
Pierre Manent
Introdução a O trabalho da obra Maquiavel de Claude Lefort
Marilena Chaui
Bruno Victor Melo possui Graduação, Mestrado e Doutorado em Filosofia pela UFMG. Trabalhou como professor de filosofia do Ensino Médio pela SEDF em 022 e 023. Realiza atendimento terapêutico com enfoque na desterritorialização da psicanálise iniciada pela esquizoanálise, atualizando-a a partir das invenções klínicas do esquizodrama criado por Gregorio Baremblitt. Atualmente é pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Esquizodrama (LEPE) do Instituto Gregório Baremblitt. Atuou como Professor Substituto do Departamento de Filosofia da UFMG na área de Ética e Filosofia Política nos anos de 024-2025. É autor dos livros: Merleau-Ponty em torno da política: humanismo e ontologia (2022) pela Editora Dialética, no qual buscou tematizar o teor filosófico das investigações de Merleau-Ponty na política em sua relação tensionada com o marxismo e Por uma filosofia existencial em Claude Lefort (2023) pela Editora CRV, onde investigou um projeto continuado da filosofia existencial merleau-pontiana na obra de Lefort, especialmente em sua descoberta do político a partir da aposta radical de uma filosofia selvagem, aquela que produz indeterminações.
Eduardo de Arruda Passos é doutorando em Filosofia, na linha de Ética e Filosofia Política, pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com bolsa da CAPES, onde desenvolve pesquisa acerca da noção de democracia selvagem no pensamento político de Claude Lefort. É mestre em Ciência Política e Relações Internacionais pela Universidade Nova de Lisboa, mestre em Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e bacharel em Comunicação Social pela Faculdade Prudente de Moraes. É membro do grupo de pesquisa Religião, Ética e Política da PUC-Campinas.
Fernanda Arantes Galina é mestranda pela UFMG, na área de Filosofia Medieval. Possui bacharelado e licenciatura em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2022). Tem experiência na área de Filosofia Medieval e da Linguagem, com ênfase nos séculos XII-XIV, atuando principalmente nos seguintes temas: significação, suposição e metafísica. Possui também certificação em Ensino de Língua Inglesa pela Cambridge University, CELTA e TKT -2-3 e certificado de proficiência em Inglês, C2 Proficiency. Atuou como assistente de produção de artes visuais em exposições organizadas na AM Galeria, Museu Mineiro e no Palácio das Artes.
Yago Pessoa Lima é doutorando em Filosofia, na linha de Érica e Filosofia Política do PPG-Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais. É bacharel e mestre pela mesma instituição. Desenvolve pesquisa em Maquiavel e republicanismo.
Arthur Stigert Christo é graduado e mestrando em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde desenvolve pesquisa sobre o pensamento de Claude Lefort. É bolsista da CAPES.
Ana Lúcia Feliciano é doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Filosofia da UFMG, na linha de pesquisa em Ética e Filosofia Política; é mestra pela mesma .instituição. Licenciada e bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).
Título: Cem anos de Claude Lefort: a obra se fazendo
Editores: Bruno V. Melo, Eduardo de A. Passos, Ana L. Feliciano, Arthur S. Christo, Fernanda A. Galina e Yago P. Lima
Editora: Ed. PPGFIL-UFMG
Páginas: 659
Formato: PDF
ISBN: 978-65-02-04533-6
DOI: 10.5281/zenodo/19666037