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Quadrilogia filosofia da música, vol. 3: Filosofia crítica da música

“A música, portanto, ocupa um papel central na reflexão filosófica. De modo que as considerações anteriores acerca da filosofia moderna fornecem tanto um pano de fundo temático, quanto uma transição histórica-filosófica para pensar a música como objeto privilegiado do presente volume. Dada a relevância do tema, o presente volume, “Filosofia Crítica da Música”, terceiro da Quadrilogia Filosofia da Música, aborda em quatro capítulos essa problemática em relação às suas disputas internas, à questão estética e à indústria cultural. A reflexão filosófica, portanto, ganha conformação rigorosa a partir da análise histórica das condições de produção, reprodução e recepção da música” (p. 15).

Eduardo L. A Rodrigues, Wesley F. R. de Sousa e Luís Felipe de Lima Andrade

Aceito os Termos de uso e condições.

Como pórtico de entrada, o primeiro capítulo deste volume, assinado por Reiner Patriota, trata dos vários aspectos inerentes à natureza da música. O autor aclimata o leitor, de modo panorâmico, ainda que rapsódico, acerca das diversas funções e formas pelas quais esses aspectos são expressos. O autor parte da tese da pluralidade como valor fundamental para compreensão do âmbito musical, destacando as diversas finalidades e formas de escutarmos a música. 

Na sequência, no capítulo assinado por Filipe Andrade e Bruno Dinis, temos um aprofundamento teórico da perspectiva estética por meio do confronto entre Theodor Adorno e Michel Foucault. A partir de uma análise rigorosa dos pontos de convergência e crítica entre ambos os filósofos para com o compositor Boulez, os autores tensionam os limites dessas tradições de pensamento contribuindo para uma análise da experiência estética.

No terceiro capítulo, Braulyo Oliveira esclarece a querela entre Adorno e os jovens compositores da escola de Darmstadt, aprofundando a relação crítica da música a partir do conceito de progresso e de material musical. Ao refletir sobre como o progresso restrito ao material musical leva a um retrocesso do conceito de arte, Braulyo realiza uma distinção entre o progresso da música e o progresso na música, demarcando a figura de Schoenberg como modelo exemplar por acolher essa contradição e não abandonar o impulso subjetivo em detrimento de um progresso linear. 

Por fim, no quarto capítulo temos uma análise acerca da reflexão crítica feita por Adorno no contexto do progresso tecnológico. Ao investigar a complementaridade entre os conceitos de crítica cultural, crítica (musical) imanente e crítica social, o autor busca investigar os diferentes momentos em que Theodor Adorno realiza sua reflexão musical. Analisando as condições de fruição e recepção a partir da introdução do rádio na vida cotidiana, Bruno Baraldo aponta para as novas funções sociais e ideológicas instauradas quando a música se torna mercadoria.

Apresentação. Filosofia crítica da música: da fruição à expressão do espírito, por Lígia Ranara Rocha Paes

A música e seus usos: para além do estético, por Rainer Patriota

Subjetividade, forma estética e a experiência de si: Adorno e Foucault em diálogo com Pierre Boulez, por Bruno Dinis e Luís Felipe de Lima Andrade

Quando a música se torna crítica: Adorno e as contradições de um conceito, por Braulyo Oliveira

Música e crítica em Theodor W. Adorno, por Bruno Baraldo

Lígia Ranara Rocha Paes
Mestranda em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) participar do grupo de estudos: Mulheres e(m) luta: resgate histórico das lutas de mulheres de destaque na cultura e na política.

Rainer Patriota
Professor nas áreas de violão, história da música, arranjo e música de câmera do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba, membro permanente do Programa de Pós-graduação em Música da UFPB, além de professor colaborador do Programa de Pós-graduação em estética do Instituto de Filosofia, Arte e Cultura da UFOP.

Bruno Dinis
Doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGFIL-UFMG), onde também obteve o título de Mestre em 2025 e a graduação em Filosofia (Licenciatura) em 2021. Atualmente, é bolsista CAPES e membro do grupo de pesquisa REDD (Rede de estudos sobre democracia e desinformação. Suas áreas de interesse incluem Filosofia Contemporânea Francesa (especificamente, Michel Foucault), Epistemologia Coletiva e Social, Epistemologia Política e Estética.

Luís Filipe de Lima Andrade
Doutorando em Filosofia pelo Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGFIL-UFMG), onde também obteve o título de Mestre em 2022. Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Pernambuco (2019). É bolsista CAPES e, atualmente, realiza estágio de doutorado sanduíche na Universität Kassel, na Alemanha, por meio do Programa de Doutorado-Sanduíche no Exterior (PDSE/CAPES). Membro do grupo de pesquisa “Modos de presença nos fenômenos estéticos” (UFMG), coordenado pelo Prof. Dr. Rodrigo Duarte. Suas áreas de interesse incluem Estética Musical, Filosofia da Música, Filosofia Contemporânea e Teoria Crítica.

Braulyo Oliveira
Graduado em Filosofia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2012), mestre em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2017) e doutor em Filosofia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (2022).

Bruno Baraldo
É doutorando pelo PPGFIL-UFRGS, tendo realizado parte de sua pesquisa junto ao Theodor W. Adorno Archiv (Akademie der Künste, Berlin, Alemanha) e com estágio de doutoramento na Alma Mater Studiorum – Università di Bologna (UNIBO), Itália. É Mestre em Filosofia (2021), Licenciado em Matemática (2009) e Bacharel em Filosofia (2016), sempre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Título: Quadrilogia filosofia da música, Vol. 3: Filosofia crítica da música
Organizadores: Eduardo L. A. Rodrigues, Wesley F. R. de Sousa e Luís Filipe de Lima Andrade
Editora: Ed. PPGFIL-UFMG
Páginas: 172
Formato: PDF
ISBN: 978-65-01-73786-7
DOI: 10.5281/zenodo.17653336